Em 2022, li A redoma de vidro, de Sylvia Plath. Como quase tudo que me atravessa de verdade, a leitura virou pintura. Agora, em 2026, reencontrei esse trecho tão impactante; dessa vez, ouvindo um dos episódios do podcast da @lela.brandao . E foi como se ele tivesse amadurecido junto comigo. Virou outra pintura. Diferente. Mais densa. Com muito mais significado. Há tanto pra refletir.

“Eu via a minha vida se ramificando à minha frente como a figueira verde do conto. Da ponta de cada galho, como um enorme figo púrpura, um futuro maravilhoso acenava e cintilava. Um desses figos era um lar feliz com marido e filhos, outro era uma poetisa famosa, outro, uma professora brilhante, outra era Ê Gê, a fantástica editora, outro era feito de viagens à Europa, África e América do Sul, outro era Constantin e Sócrates e Átila e um monte de amantes com nomes estranhos e profissões excêntricas, outro era uma campeã olímpica de remo, e acima desses figos havia muitos outros que eu não conseguia enxergar.

Me vi sentada embaixo da árvore, morrendo de fome, simplesmente porque não conseguia decidir com qual figo eu ficaria. Eu queria todos eles, mas escolher um significava perder todo o resto, e enquanto eu ficava ali sentada, incapaz de tomar uma decisão, os figos começaram a encolher e ficar pretos e, um por um, desabaram no chão aos meus pés”.

- Syvia Plath

 

Dimensões: 30x40cm

 

Antes que os figos caiam - mão branca

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Em 2022, li A redoma de vidro, de Sylvia Plath. Como quase tudo que me atravessa de verdade, a leitura virou pintura. Agora, em 2026, reencontrei esse trecho tão impactante; dessa vez, ouvindo um dos episódios do podcast da @lela.brandao . E foi como se ele tivesse amadurecido junto comigo. Virou outra pintura. Diferente. Mais densa. Com muito mais significado. Há tanto pra refletir.

“Eu via a minha vida se ramificando à minha frente como a figueira verde do conto. Da ponta de cada galho, como um enorme figo púrpura, um futuro maravilhoso acenava e cintilava. Um desses figos era um lar feliz com marido e filhos, outro era uma poetisa famosa, outro, uma professora brilhante, outra era Ê Gê, a fantástica editora, outro era feito de viagens à Europa, África e América do Sul, outro era Constantin e Sócrates e Átila e um monte de amantes com nomes estranhos e profissões excêntricas, outro era uma campeã olímpica de remo, e acima desses figos havia muitos outros que eu não conseguia enxergar.

Me vi sentada embaixo da árvore, morrendo de fome, simplesmente porque não conseguia decidir com qual figo eu ficaria. Eu queria todos eles, mas escolher um significava perder todo o resto, e enquanto eu ficava ali sentada, incapaz de tomar uma decisão, os figos começaram a encolher e ficar pretos e, um por um, desabaram no chão aos meus pés”.

- Syvia Plath

 

Dimensões: 30x40cm